Síntese da Dinâmica da Revelação Divina ao longo da História

O conteúdo da Revelação, transmitido pela Tradição, se encontra registrado inicialmente no Antigo Testamento e se conclui no Novo, juntamente com a morte do último apóstolo de Cristo. Para levar esses pressupostos à diante há um tripé essencial: as Sagradas Escrituras, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério, porém é somente pela fé – lugar teológico, ethos (comportamento) – que toda essa dinâmica se concretiza e se atualiza na vida da Igreja. Assim, os homens, por meio de Jesus, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tornam participantes de sua natureza divina.

A Constituição Dogmática Dei Verbum (1965) trabalha sobre a gratuidade de um Deus que se revela por amor. O documento explana os principais elementos necessários para a devida compreensão, interpretação e disseminação do dado revelado. Por outro lado, a Exortação Apostólica Verbum Domini (2010) amplia e aprofunda os conceitos colocados no escrito anterior pensando especialmente no âmbito das Escrituras, da Igreja e das suas relações com o mundo, sempre tendo como suporte o referido tripé.

Segundo Latourelle (1965), as Sagradas Escrituras podem ser dividas em um total de treze blocos que possibilitam entender basicamente as principais etapas da Revelação. No Antigo Testamento, cujo núcleo está na Lei e nos Profetas, encontramos os oito primeiros blocos: a fase mais antiga da Revelação; as Dez Palavras do Monte Sinai (Cf. Ex 20); o Profetismo; o Deuteronômio; a Literatura Histórica; a partir do Exílio da Babilônia (587-538 a.C.); a Literatura Sapiencial e; o Saltério (salmos).

Já no Novo Testamento, o qual possui os Evangelhos como núcleo, há os cinco blocos restantes: os Sinóticos (fonte “Q”: Quelle); os Atos dos Apóstolos; as cartas de São Paulo; a epístola aos Hebreus e; os escritos joaninos. Desse modo, o Antigo Testamento anuncia, prepara e significa o Novo, enquanto esse último dá pleno cumprimento ao primeiro por meio da pessoa de Jesus Cristo.

Conforme pontua Libanio (1992), considerando todo esse conteúdo do depósito da fé, a Igreja Católica adentra a modernidade tendo que lidar com seus diversos problemas como a grande ênfase da razão em detrimento da fé, a falta de referências sólidas, a superficialidade no modo como se reflete a própria existência, a fluidez nas ações e nas relações humanas e, a fragmentação dos indivíduos.

Nesse sentido, conforme pontuado acima, é justamente na fé, devidamente fundamentada na Revelação – constantemente atualizada pelo Sagrado Magistério –, oferece um contraponto importantíssimo à essas questões, por possibilitar bases consistentes que influenciam profundamente no modo como os indivíduos enxergam e lidam com os problemas contemporâneos, especialmente o ateísmo prático, a incredulidade e o indiferentismo.

Por fim, cabe pontuar ainda, entre muitas possibilidades, a Declaração Dominus Iesus (2000) a qual, além de reafirmar as verdades e bases da fé cristã católica, especialmente a unicidade e universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja, oferece reflexões e instrumentos para lidar com esses problemas e demandas – a exemplo do diálogo inter-religioso – de maneira a orientar os fiéis em vias de continuarem a missão evangelizadora até que a plenitude da Revelação seja expressa por meio da segunda vinda do Salvador.

Referências Bibliográficas

BENTO XVI. Verbum Domini: Exortação Apostólica Pós-Sinodal sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2010.

BÍBLIA de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.

CATECISMO da Igreja Católica. 3ª ed. Petrópolis: Vozes; São Paulo: Paulinas, Loyola, Ave-Maria, 1993.

CONCÍLIO Ecumênico Vaticano II. Dei Verbum: Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 1965.

CONGREGAÇÃO para a Doutrina da Fé. Dominus Iesus: Sobre a unicidade e universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2000.

LATOURELLE, René. Teologia da Revelação. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 1985.

LIBANIO, João Batista. Teologia da Revelação a partir da modernidade. São Paulo: Loyola, 1992.

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