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Desaprendizados das últimas décadas

Recentemente, os jornais de meu município noticiaram que o número de divórcios está superior ao de matrimônios durante a pandemia do coronavírus. Seria cômico se não fosse trágico. Tal apontamento me faz pensar sobre os fatores que estão levando isso a ocorrer. Muitos podem justificar que antigamente o homem prejudicava a mulher, a maltratava e ela não podia fazer nada, pois não tinha condições de se sustentar. Nos dias de hoje, elas agora ocupam seu espaço no mercado de trabalho, na sociedade e querem ser respeitadas, por isso o número de divórcios cresceu. De fato, isso é válido e extremamente importante, não há como negar. Mas, será que só isso é o suficiente para justificar esse quadro? Creio que “o buraco seja mais em baixo”. O estilo de vida moderno – ou a falta de interesse de muitos – têm afastado as pessoas umas das outras. O viver cotidiano das voltou-se para o exterior, para o social em detrimento da convivência familiar. Tem-se tempo para tudo: navegar nas redes sociais, tr...

Vidas Editadas

Há sorrisos os quais não duram mais que o tempo de um clique e sofrimentos que permeiam uma existência toda! Vidas editadas é o que mais encontramos nos meios virtuais dos dias de hoje. Pessoas que exalam a necessidade de exibirem um cotidiano perfeito que, na verdade, não existe. Ao que tudo indica, as redes sociais viraram uma verdadeira luta de egos, um verdadeiro vale-tudo: posta-se fotos na academia, na caminhada, da alimentação do dia, do presente ganhado, do sucesso alcançado, da viagem realizada... Por outro lado, há também aqueles – creio que sejam uma minoria – os quais exibem constantemente como suas realidades são difíceis, sofridas e pautadas na constante luta contra a dor e os problemas, isso talvez porque muitos focam tanto em suas dores que esquecem de observar suas cores. São perfis realmente dignos de pena! Vez ou outra vemos nos noticiários algumas pessoas que se suicidaram, algumas delas até deixaram alguns avisos em suas redes sociais, já outras falaram, gritaram e...

Posicionamento Político

Enxergamos uma forte polarização política no Brasil contemporâneo que vêm se formando a algum tempo, entre outros fatores, devido às diversas questões em torno da corrupção. Tendências à “esquerda” e à “direita” têm disputado espaço em meio a essa situação lutando por direitos e usando de diversos meios – lícitos e ilícitos – para se fazerem ouvir pelas massas e se tornarem influentes formadores de opinião em seu meio. Não me dou o direto de julgar qual seria o posicionamento político mais adequado, creio que ainda não possuo conhecimento e vivência o suficiente para definir isso e, talvez, isso nem me interesse muito. Não faço questão de me colocar como juiz para definir definitivamente quem é o certo e o errado, talvez pelo simples fato de que de ambos os lados há elementos adequados à nossa situação e outros que não o são. De qualquer modo, acredito ser importante fazer algumas pontuações – não generalistas em certos casos, mas recorrentes em minha visão atual – a serem pensadas e r...

Falta de tempo para pensar

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Do mesmo jeito que viemos ao mundo vamos embora e a maioria das pessoas perdem seu tempo e sua saúde acumulando coisas as quais no final ficam para os outros, viram lixo ou são utilizadas para, em vão, tentar recuperar o que ao longo da vida foi perdido: tempo e saúde. Se esquecem de buscar aquilo que ultrapassa a materialidade e a finitude da vida cotidiana. Nos dias de hoje pagamos o alto preço pelos longos séculos em que passamos a acreditar na inutilidade de estudos que não geram lucro. O desprezo nutrido por nossa sociedade pelos estudos nas áreas de História, Filosofia, Sociologia, Linguagens e Códigos, Arte e outras ciências afins acarretou a formação de uma população caracterizada pela incapacidade – ou preguiça, talvez? – de pensar criticamente a realidade na qual está inserida. O ato de refletir e pensar tornou-se raridade. Não se trata aqui de menosprezar as demais áreas do conhecimento, todas são importantes e nenhuma deve ser diminuída. Cada uma possui seu fim ...

Entre o lúdico e o real: a mágica por trás da leitura e da escrita

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Algumas vezes comentei brevemente sobre a arte de ler e escrever. Sou suspeito para abordar esse assunto. Em meu ponto de vista, não há vida sem esses dois elementos presentes constantemente no cotidiano de todos atualmente. Já dizia Ferreira Gullar "a arte existe porque a vida não basta" e a escrita é também uma forma de arte, aquela que permite ao ser humano expressar um pouco de si e do modo como enxerga sua realidade. Interessante é observar ao longo da história todo o processo desde o surgimento da escrita até chegarmos nos dias de hoje. Iniciado com os primeiros ideogramas e hieróglifos gravados em pedras e placas de argila, passando pelo papiro, pelas folhas de palmeira, pelo bambu e pelo pergaminho até chegarmos ao códex – livros – e aos suportes digitais – computadores, celulares e tablets. Está sendo uma longa trajetória de aprimoramentos e mudanças. Até mesmo as relações do leitor/escritor com texto mudaram. Se antes a pessoa precisava segurar vária pla...

e depois???

o momento ocorreu, a oportunidade desapareceu, o gelo derreteu, o café esfriou, o tempo passou... e a vida se acabou!

As coisas são minhas, faço delas o que quiser e ninguém tem nada com isso!

Título bem sugestivo, não? Dito por muitos. Vivido por milhares de pessoas. Aplicável à realidade? Vejamos... “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” (Antoine Lavoisier) Essa frase Lavoisier (1743-1794) – grande químico francês – muito mais do que tratar de questões das ciências naturais deveria nos fazer repensar um pouco as relações que temos com os bens materiais pertencentes a cada um de nós. Ou aos quais pertencemos, talvez... Isso depende muito do modo como lidamos com as coisas... O enunciado deveria nos fazer pensar que, se na natureza não há nada de novo, mas apenas transformação daquilo que já existe, logo, tudo o que temos, inclusive nosso próprio corpo, é apenas a reorganização de átomos que já existiam à milhões de anos e, quando morrermos, esses mesmos átomos serão novamente reorganizados e passarão a ter outras funções e finalidades. Em outros termos, não conseguimos controlar e mandar sempre nem mesmo no material do nosso próprio corpo, o qu...